Desejado por muitas e temido por muitas outras, o parto normal é uma das formas de trazer à vida um novo bebê. Embora a natureza tenha seu próprio ritmo, chegar ao final da gestação com o organismo fortalecido e a mente tranquila pode transformar essa experiência.
E para favorecer que o processo de parir seja menos complicado, demorado ou doloroso, algumas práticas e hábitos ao longo da gestação podem ser de grande ajuda. Confira as recomendações da Dra. Ana Cristina Fernandes, Ginecologista e Obstetra.
Quais são os benefícios do parto normal?
O parto vaginal (ou parto normal) é a via fisiológica do nascimento e traz inúmeros benefícios comprovados:
- Uma recuperação pós-parto mais rápida para a mulher;
- Menor risco de infecções pós-parto;
- Fortalecimento do sistema imunológico do recém-nascido, ajudando a evitar a ocorrência de doenças como asma, obesidade e doenças autoimunes.
- A cascata hormonal natural facilita o vínculo imediato entre mãe e bebê e o início da amamentação.
No entanto, é fundamental ter flexibilidade e acolhimento consigo mesma: nem sempre o parto normal é possível ou seguro. Seja por condições clínicas prévias ou emergências durante o trabalho de parto, a cesárea pode ser a melhor escolha para garantir a saúde da mãe e da criança.
Lembre-se: o “parto ideal” é sempre aquele que traz o seu bebê ao mundo com segurança.
Veja também: Parto Normal X Cesariana: Qual é o mais indicado para mim?
Exercícios físicos podem ajudar no parto normal?
Com certeza! Os benefícios valem a pena:
- O condicionamento físico e a melhora na capacidade cardiorrespiratória vão ajudar a suportar o esforço das possíveis horas de trabalho de parto.
- O exercício também ajuda o bebê a encaixar na pelve, condição importante para um parto normal.
“Além disso, a atividade física possibilita a diminuição das dores no baixo ventre e na região lombar causadas pelo peso do útero durante a gestação, principalmente no último trimestre”, explica a Dra. Ana Cristina.
Que exercícios físicos são indicados para gestantes?
- Yoga e Pilates: ajudam no preparo do corpo, controle da respiração e no fortalecimento de músculos que são utilizados durante o trabalho de parto.
- Caminhada: indicada durante toda a gravidez por ser um exercício de baixo impacto, traz a sensação de bem-estar, sobretudo nas últimas semanas de gestação.
- Hidroginástica: combina fortalecimento muscular e mobilidade pélvica sem impacto, facilitando o encaixe do bebê na bacia através de movimentos mais amplos.
“A recomendação geral é de 150 minutos semanais, dividido em três dias com atividades de intensidade leve a moderada, desde que com baixo impacto e carga leve. No entanto, é imprescindível conversar com seu médico antes de começar para se certificar se essas atividades estão liberadas para você”, alerta a especialista.
Veja também: Os exercícios na gravidez ajudam a manter o bem-estar da gestante
Fisioterapia pélvica na gestação: entenda as vantagens
O assoalho pélvico é uma espécie de “rede” de músculos e ligamentos na base da bacia que sustenta órgãos como útero, bexiga e intestino. É fundamental fortalecê-lo para suportar o peso extra da gravidez, além de garantir a elasticidade e o controle necessários para o parto.
Esse fortalecimento pode acontecer ao longo da gestação por meio de sessões de fisioterapia pélvica, com apoio de profissionais especializados. “Os exercícios ajudam na consciência corporal e na movimentação de contrair e relaxar a musculatura da região, que é muito utilizada durante as contrações e no esforço de expulsar o bebê no trabalho de parto”, orienta a médica.
Alimentação saudável é fundamental
Condições como hipertensão, hipotireoidismo, diabetes gestacional e problemas cardíacos, entre outras comorbidades, podem trazer complicações ou restringir a indicação do parto normal, exigindo avaliação médica criteriosa. Muitos desses quadros são amenizados ou evitados com a adoção de um estilo de vida mais saudável, o que inclui uma alimentação equilibrada.
Veja também: Gravidez de alto risco: o que significa e quais as principais causas?
A importância de dormir bem
Durante o sono, diversos processos acontecem no corpo da mãe e ter uma quantidade mínima de horas de descanso por noite influencia no bem-estar materno. O alerta foi feito pela Ginecologista e Obstetra estadunidense Jodi Mindell, no livro Sleep Deprived No More: From Pregnancy to Early Motherhood (Privação de sono nunca mais: da gravidez à maternidade inicial, em português).
O estudo apontou que mulheres que dormiram menos de seis horas por noite no último mês da gestação tiveram quatro vezes mais chances de serem encaminhadas para cesárea e trabalhos de parto mais longos.
É verdade que tâmaras podem ajudar a induzir o parto?
Sim, é verdade. “As tâmaras têm um componente que imita a ocitocina, hormônio que desencadeia o trabalho de parto”, revela a Dra. Ana Cristina. Um estudo publicado no Periódico de Obstetrícia e Ginecologia dos Estados Unidos indica que gestantes que comeram pelo menos seis tâmaras diariamente nas últimas quatro semanas de gestação (ou da data estimada do parto) aproveitaram algumas vantagens:
- Os trabalhos de parto foram mais curtos;
- Elas chegaram ao hospital com mais dilatação;
- A chance de precisar de medicação para induzir ou acelerar o parto foi menor.
Portanto, vale a pena comer tâmaras na reta final da gravidez!
Ter relações sexuais também ajuda no parto normal?
Segundo a Dra. Ana Cristina, essa é uma ótima ideia. “O orgasmo estimula o útero e libera ocitocina no sangue – o que pode ajudar a induzir o parto. Além disso, o sêmen contém prostaglandina, que deixa o colo do útero mais maleável para a dilatação”, explica.
Ou seja, o sexo está liberado na gestação. As únicas contraindicações são em caso de trabalho de parto prematuro e de sangramento durante a gestação.
Veja também: A sexualidade feminina na maternidade: da pré-concepção ao puerpério
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Leia agora: Como fazer um Plano de Parto: o guia para alinhar suas expectativas
Referências
Mindell JA. Sleep deprived no more: from pregnancy to early motherhood. New York: Marlowe & Co; 2007.
Lee KA, Gay CL. Sleep in late pregnancy predicts length of labor and type of delivery. Am J Obstet Gynecol. 2004 Dec;191(6):2041-6. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15592289/










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