E eis que, de repente, bem no meio daquele movimento mais simples e cotidiano, um músculo desconhecido começa a enrijecer e uma dor incômoda surge tão forte que você se paralisa. Esse é um sinal claro de cãibra, reação muscular que pode acontecer durante o período de gravidez.
Você sabe, porém, quais os motivos que causam essa reação de nosso corpo e como fazer para minimizá-la e evitar que aconteça? Conversamos com o personal trainer Ney Tobaru para entender um pouco mais sobre a cãibra na gravidez e os hábitos corretos para minimizar seus efeitos e frequência. Confira!
O que são cãibras?
As cãibras são contrações musculares involuntárias, súbitas e intensas, que geralmente atingem as panturrilhas e os pés, sendo mais frequentes durante a noite ou ao acordar.
Do ponto de vista fisiológico, a cãibra ocorre por um “curto-circuito” momentâneo no músculo. Para que um músculo relaxe após contrair, ele precisa de energia, disponível em uma molécula chamada ATP.
Na gravidez, devido à sobrecarga e às mudanças metabólicas, pode haver uma dificuldade temporária em ressintetizar essa energia. Sem o ATP necessário, o corpo não consegue bombear o cálcio de volta para fora das células musculares. Como o cálcio é o gatilho da contração, o músculo acaba travado em um estado de espasmo doloroso.
O que causa cãibra na gravidez?
“A principal causa da cãibra é a desidratação, que tem como consequência uma alteração hidroeletrolítica, um desequilíbrio na ingestão de alguns micronutrientes, como sódio e potássio. Durante a gravidez, como o corpo da mulher aumenta a demanda por nutrientes, esses episódios se tornam mais comuns”, explica o Personal Trainer Ney Tobaru.
Ela pode ocorrer ao longo das 40 semanas e suas chances aumentam nos últimos meses, quando a barriga está maior e o bebê utiliza o estoque materno de cálcio para o desenvolvimento final do sistema ósseo.
Além da questão celular, outros fatores colaboram para que isso seja tão comum nesse período:
- Fadiga muscular: O esforço extra para carregar o peso do bebê cansa os músculos precocemente.
- Compressão de vasos e nervos: O útero pesado pode dificultar a circulação nas pernas e pressionar nervos que controlam os espasmos.
Cãibra na gravidez é perigoso?
Não há motivos para se assustar. Elas são consideradas um sintoma comum e esperado devido às mudanças físicas e metabólicas da gestação.
Na gravidez, pode ocorrer cãibra na barriga?
Enquanto as cãibras nas pernas estão ligadas à fadiga muscular e ao metabolismo do cálcio, as sensações de “cãibra” na barriga são geralmente causadas pelo estiramento dos ligamentos redondos que sustentam o útero ou pelas contrações de Braxton Hicks.
Diferente da cãibra na perna, que é quase sempre inofensiva, a “cãibra” ou dor na barriga merece atenção se:
- Vier acompanhada de sangramento ou corrimento incomum.
- A dor for rítmica (indo e vindo em intervalos regulares).
- Não passar com repouso ou mudança de posição.
- Houver febre ou dor ao urinar.
O que é bom para cãibra na gravidez?
Em caso de cãibra, respire fundo. A dor é intensa, mas passa. Se possível, tente alongar e faça compressa de água morna na região.
O alongamento, aliás, é um grande aliado para combater esse incômodo: lembre-se de sempre esticar os músculos antes e depois da prática de atividades físicas e evitar o excesso de exercícios. A drenagem linfática manual também pode ajudar a aliviar o incômodo.
Para evitar que as cãibras apareçam, a alimentação equilibrada e saudável é essencial, pois vai fornecer os nutrientes necessários para mamãe e bebê, contribuindo para que não haja as temidas alterações hidroeletrolíticas.
Se os episódios forem muito frequentes, é importante avisar o médico, pois pode ser necessário investigar se há algum problema por trás do desequilíbrio de vitaminas e minerais.
Como evitar cãibra na gravidez?
Se a principal causa da cãibra é a desidratação, não é difícil adivinhar que beber água pode ajudar a prevenir ou, pelo menos, diminuir a frequência dos episódios.
“Para o corpo da gestante, a indicação é de ingerir entre 35 e 40 mL de água por quilo de peso corporal. Mas também é necessário ficar atento à ingestão de nutrientes, pois de nada adianta a hidratação se o desequilíbrio hidroeletrolítico continua”, alerta Ney Tobaru.
Apesar de muitas vezes ser taxado de vilão da alimentação saudável, o sódio não pode ser deixado de lado.
“Não adianta nada comer banana, que é a fonte de potássio mais popular, se a mulher não ingere outros nutrientes essenciais. Tanto o excesso quanto a falta de sódio são prejudiciais para o corpo humano”, conclui.
A hidratação vai muito além de evitar as cãibras!
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Referências
Chaudhry SR, Chaudhry K. Anatomy, Abdomen and Pelvis: Uterus Round Ligament. [Updated 2023 Jul 24]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499970/
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da Saúde; 2012 [citado em 29 jan. 2026]. (Série de Cadernos de Atenção Básica, n. 32). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf










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