Durante a gestação e o trabalho de parto, um dos maiores desejos dos pais é ter a certeza de que o bebê está seguro e saudável. A cardiotocografia (CTG), popularmente chamada de cardiotoco, é o exame que monitora em tempo real a frequência cardíaca e as reações do feto, revelando se tudo está bem ou se é preciso fazer alguma intervenção.
Para traduzir os resultados do procedimento e responder às dúvidas mais comuns sobre ele, contamos com a experiência da enfermeira obstetra Veronica Pires. Confira!
O que é a cardiotocografia e qual sua importância?
A cardiotocografia (CTG), também conhecida como cardiotoco, é um exame valioso, especialmente em gestações de alto risco, para avaliar a vitalidade do bebê e possíveis sinais de sofrimento fetal. Trata-se de um método não invasivo de monitorização eletrônica que registra simultaneamente a frequência cardíaca (FCF) e os movimentos do bebê, bem como as contrações uterinas da mãe.
Existem dois tipos: a cardiotocografia anteparto é aquela feita para checar a saúde do bebê nas consultas durante a gestação. Já a intraparto é realizada durante todo o trabalho de parto, para garantir que tudo corra bem.
“O exame permite identificar se os batimentos cardíacos do bebê estão dentro da normalidade, muito acelerados (taquicárdicos) ou muito reduzidos (bradicárdicos)”, explica Veronica.
Alterações de padrão são sinais de alerta e podem exigir uma intervenção médica imediata para prevenir a morte fetal.
Quando é indicado fazer a cardiotocografia fetal?
A cardiotocografia fetal anteparto deve ser realizada no terceiro trimestre da gestação, principalmente para monitorar casos de gravidez de alto risco.
Em uma gestação de baixo risco, o exame costuma ser recomendado a partir de 32 a 34 semanas, tornando-se mais frequente conforme a data do parto se aproxima. “É de extrema importância que se tenha esse registro, principalmente a partir das 34 semanas”, orienta Veronica.
Já em uma gestação de alto risco, a indicação pode ser antecipada. Em condições como diabetes e hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia ou restrição de crescimento fetal, o monitoramento pode começar a partir de 26 semanas.
A frequência do exame varia conforme recomendação médica. Dependendo do caso, pode ser indicada a realização semanal, ou a cada dois ou três dias.
Vale destacar que a cardiotocografia não costuma ser indicada antes de 26 semanas de gestação, pois a imaturidade natural do sistema nervoso do bebê impede uma avaliação precisa dos resultados.
“Já a cardiotocografia intraparto é realizada durante o trabalho de parto normal, geralmente a cada duas horas, ou antes da cesárea”, explica a especialista.
Como é feito o exame?
O procedimento é simples, indolor e não invasivo. “Primeiro, você vai se ajeitar de uma forma bem confortável na maca. Depois, a enfermeira vai colocar duas faixas elásticas na sua barriga, cada uma com um pequeno sensor. Um deles vai monitorar os batimentos do coração do seu bebê, e o outro vai sentir as contrações da sua barriga”, esclarece a enfermeira.
O ciclo de monitorização dura 20 minutos. Se, no entanto, o bebê estiver dormindo e pouco reativo, o monitoramento pode ser estendido por 40 minutos ou mais. Durante esse tempo, o aparelho cria um gráfico que mostra como o coração do bebê está reagindo. O traçado será cuidadosamente interpretado pela equipe de saúde.
Existe preparo para o exame?
Não são necessários preparos complexos, como o jejum. “Pelo contrário: a gestante deve se alimentar antes do procedimento para estimular a atividade do bebê, fazendo com que ele se movimente mais”, orienta Veronica. Isso é fundamental para que o exame se torne mais informativo e permita uma avaliação mais precisa.
Quando os resultados são preocupantes? Como saber se o bebê está em sofrimento fetal?
Segundo Veronica, mudanças abruptas nos padrões da cardiotocografia são o principal sinal de alerta para um possível quadro de sofrimento fetal, indicando que o bebê não está respondendo bem ao ambiente uterino. “Por exemplo, se ele está com batimento 140 bpm e, de repente, vai pra 80bpm. Ou a frequência cardíaca está em 140 bpm e sobe pra 200, 220 bpm e permanece alta”, avalia.
Além dessas mudanças abruptas, a equipe de saúde avalia outros fatores críticos no traçado. Um dos mais importantes é a ausência de variabilidade, quando a linha dos batimentos fica muito “plana”, sem as pequenas oscilações que são um sinal de bem-estar. Outro ponto de atenção são as desacelerações, especialmente aquelas que ocorrem de forma repetida logo após o fim das contrações, pois podem indicar uma dificuldade de o bebê receber oxigênio através da placenta.
Em caso de cardiotoco alterado, quais são as providências?
“Diante de um resultado preocupante na cardiotocografia, a conduta imediata é sempre acionar o obstetra. A equipe médica tomará as medidas necessárias para garantir a segurança da mãe e do bebê”, enfatiza a enfermeira.
Em alguns casos, podem ser realizadas manobras para melhorar a oxigenação fetal, como a mudança de posição da mãe e a administração de oxigênio. Em situações mais críticas, pode ser indicada a cesárea de emergência. A decisão dependerá da análise completa do quadro clínico, da idade gestacional e da gravidade das alterações encontradas no exame.
Agora que você já entendeu como a saúde do seu bebê é monitorada, é hora de pensar em outra providência fundamental para a reta final da gestação: o plano de parto. Confira este artigo e saiba como fazer!
Referências
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Protocolo FEBRASGO: Cardiotocografia Anteparto [Internet]. São Paulo: FEBRASGO; 2019 [citado 2025 out 5]. Disponível em: https://sogirgs.org.br/area-do-associado/cardiotocografia-anteparto.pdf
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Protocolo FEBRASGO: Monitorização Fetal Intraparto [Internet]. São Paulo: FEBRASGO; 2018 [citado 2025 out 5]. Disponível em: https://sogirgs.org.br/area-do-associado/Monitorizacao-fetal-intraparto-2018.pdf









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