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Infecção vaginal na gravidez: conheça os sinais de alerta

Conheça as infecções vaginais mais comuns na gravidez e saiba quando é hora de procurar um médico

Durante a gestação, o corpo passa por mudanças hormonais e imunológicas que podem favorecer alterações no equilíbrio da flora íntima, causando aumento das secreções vaginais. Na maioria das vezes, essa é uma adaptação fisiológica esperada. 

No entanto, em alguns casos, as secreções também podem indicar infecções vaginais que precisam de tratamento imediato.

Para esclarecer o que é normal e o que exige atenção, conversamos com o Dr. Ricardo Bruno, ginecologista e obstetra, que detalha como identificar e tratar essas condições com segurança para você e seu bebê.

Por que infecções vaginais podem acontecer na gravidez?

A vagina possui um sistema natural de proteção, formado principalmente pelo equilíbrio do microbioma vaginal e pela presença de lactobacilos, que ajudam a manter o pH dentro de uma faixa considerada saudável. No entanto, a gestação altera o pH da vagina e diminui a imunidade local, favorecendo a proliferação de fungos e bactérias que causam infecções vaginais.

“As mais comuns são a candidíase, a vaginose bacteriana e a tricomoníase, embora existam outros agentes que também possam causar sintomas e precisem ser investigados”, explica o Dr. Ricardo.

Como diferenciar o corrimento normal de uma infecção vaginal?

O aumento da secreção vaginal pode ser normal na gravidez. Muitas gestantes apresentam uma secreção fisiológica mais abundante, geralmente clara, fluida e sem cheiro forte.

“Já o corrimento patológico, que indica infecção, geralmente é amarelado, esverdeado ou acinzentado, tem odor desagradável e vem acompanhado de sintomas como coceira, irritação, ardência, dor ao urinar e na relação sexual”, explica o Dr. Ricardo. 

O especialista explica que, em alguns casos, a secreção normal pode ficar amarelada depois de entrar em contato com o tecido da roupa íntima, especialmente quando a calcinha é de algodão ou permanece em uso por muitas horas. Por isso, para não se confundir, é importante prestar atenção à secreção ainda presente na vagina. 

Além disso, ao longo do dia, a secreção normal pode se misturar ao suor e à umidade da região íntima, principalmente quando há longos períodos sem troca de roupa íntima, causando um odor mais forte, não necessariamente relacionado a uma infecção.

“O mais importante é avaliar o conjunto de sinais: quando há odor forte ou fétido, coceira, ardência, dor, irritação ou desconforto, a orientação é procurar o ginecologista obstetra para uma avaliação segura”, orienta o Dr. Ricardo.

As infecções mais comuns e seus sinais

CausasComo costuma ser o corrimentoSintomas associados
Candidíase vulvovaginalCrescimento excessivo de fungos, principalmente Candida albicans.Geralmente branco, espesso ou grumoso, podendo lembrar “leite coalhado”. Nem sempre tem cheiro forte.Coceira intensa, ardência, vermelhidão, irritação na vulva, desconforto ao urinar ou na relação sexual.
Vaginose bacterianaDesequilíbrio da flora vaginal, com redução dos lactobacilos e aumento de bactérias como a Gardnerella vaginalis.Corrimento mais fluido, branco-acinzentado ou acinzentado.Odor forte e desagradável, muitas vezes descrito como “cheiro de peixe”, que pode piorar após relação sexual. Pode haver pouca ou nenhuma coceira.
TricomoníaseInfecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis.Corrimento amarelo-esverdeado, por vezes acinzentado, mais abundante, podendo ser espumoso.Odor forte, irritação, coceira, ardência, dor ao urinar, dor na relação sexual e, em alguns casos, sangramento após relação.

Veja também: É normal ter sangramento na gravidez? Ginecologista explica


Infecções vaginais na gravidez: diagnóstico e tratamento

Como é possível perceber no quadro acima, diferentes infecções podem provocar sintomas parecidos, mas exigem tratamentos diferentes. Somente a avaliação do ginecologista obstetra garante o diagnóstico correto e a indicação de medicamentos seguros para a gestante e para o bebê. No consultório, ele poderá realizar o exame clínico para observar a secreção, avaliar a vulva, a vagina e o colo do útero e, quando necessário, solicitar exames complementares para confirmar o agente causador.

A automedicação, mesmo com pomadas ou medicamentos de venda livre, deve ser evitada durante toda a gestação. “Algumas substâncias podem não ser recomendadas na gravidez, enquanto outras podem ser contraindicadas por via oral, mas permitidas por via vaginal. Por isso, é preciso avaliar cada caso”, alerta o Dr. Ricardo. 

A boa notícia é que há opções de tratamento consideradas seguras para gestantes, quando bem indicadas. “Existem medicações testadas e aprovadas para uso na gestação, sem risco de malformações ou alterações gestacionais. Mas a escolha deve sempre ser feita pelo obstetra, considerando o tipo de infecção, o trimestre da gravidez, os sintomas e o histórico da paciente”, afirma o médico.

O parceiro também precisa de tratamento?

Depende da causa da infecção. Segundo o Dr. Ricardo, o tratamento do parceiro é necessário quando se trata de uma infecção sexualmente transmissível, como tricomoníase, sífilis, gonorreia ou clamídia. Já em quadros como candidíase e vaginose bacteriana, geralmente não há necessidade de tratar o parceiro, salvo situações específicas avaliadas pelo médico.

Quais são os riscos de uma infecção vaginal durante a gravidez?

Quando identificada e tratada corretamente, uma infecção vaginal na gravidez tende a ser controlada com segurança. O risco maior está em quadros que persistem sem diagnóstico ou são tratados de forma inadequada.

“Nesses casos, além do desconforto para a gestante, algumas infecções podem estar associadas a complicações como irritação local intensa, inflamação, ruptura da bolsa, abortamento e parto prematuro”, explica o Dr. Ricardo.

A infecção vaginal pode atingir o bebê?

Segundo o Dr. Ricardo, na maior parte dos casos o bebê está protegido pelo colo do útero fechado e pela bolsa amniótica. “Normalmente, as infecções não chegam ao bebê, porque existem barreiras naturais de proteção durante a gestação”, explica. 

Esse risco, no entanto, pode aumentar em situações específicas, como quando há ruptura da bolsa, dilatação do colo do útero, processo de abortamento ou trabalho de parto prematuro. Nessas condições, a proteção natural pode estar comprometida, favorecendo a passagem de microrganismos e aumentando o risco de infecção relacionada ao ambiente intrauterino.

O que pode ajudar a prevenir infecções vaginais na gravidez?

Nem sempre é possível evitar completamente uma infecção vaginal, porque a gestação naturalmente modifica o corpo e o ambiente íntimo. Ainda assim, alguns cuidados ajudam a minimizar os riscos.

  • Mantenha uma higiene íntima adequada: lave regularmente a região externa (vulva) com água e sabonete neutro ou específico, sem realizar duchas internas, para não remover a proteção natural e manter o pH equilibrado. 
  • Troque a calcinha sempre que estiver suja ou úmida: a umidade e o acúmulo de secreções criam o ambiente ideal para a proliferação de fungos e bactérias.
  • Prefira calcinhas de algodão: diferente dos tecidos sintéticos, o algodão permite que a pele “respire”, reduzindo o abafamento da região íntima, o que ajuda a prevenir infecções como a candidíase. 
  • Evite segurar o xixi por muito tempo: reter a urina pode favorecer a estagnação de bactérias no trato urinário e alterar o equilíbrio da flora local, aumentando o risco de infecções vaginais e urinárias. 
  • Troque protetores e absorventes com frequência: o uso prolongado desses itens retém umidade e calor, além de acumular secreções naturais, o que facilita o surgimento de processos irritativos e infecções. 

Vale lembrar que, além das infecções vaginais, outro quadro muito comum e que exige atenção redobrada é a infecção urinária, que também pode trazer riscos se não for acompanhada de perto. 

Confira nosso guia completo e aprenda a identificar os sintomas e as melhores formas de tratamento:

Infecção Urinária na Gravidez: O que você precisa saber


Referências

Duarte G, Linhares IM, Kreitchmann R, Tristão AR, Traina E, Canti I, et al. Vulvovaginites em gestantes. Febrasgo Position Statement [Internet]. 2024 [citado 13 maio 2026];3:1-11. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/images/pec/CNE_pdfs/FPS20240003_Portugues.pdf

Dr. Ricardo Bruno
Ginecologista e Diretor Médico da Exeltis Brasil. Mestre e Doutor em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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